Egito é quatro vezes maior que o Estado de São Paulo, mas a maior parte de seu território encontra-se no deserto. Somente 3% das terras são aráveis, as quais geralmente se encontram às margens do Rio Nilo. A Península do Sinai – território estratégico que é a única ligação entre a África, a Europa e o Oriente Médio – encontra-se em território egípcio.

Além disso, o Egito detém o controle sobre o Canal de Suez, a ligação marítima que permite o caminho mais curto entre o Oceano Índico e o Mar Mediterrâneo.

Os cristãos representam apenas 10% da população egípcia. Os cristãos egípcios vivem em uma sociedade profundamente polarizada, em que o abismo entre os islâmicos e os egípcios secularistas/nacionalistas é prejudicial à estabilidade.

O governo do presidente atual parece determinado a lutar contra os militantes islâmicos, mas ao mesmo tempo, parece improvável que tome medidas significativas para garantir a liberdade de religião e a igualdade de cidadania dos cristãos.

A história das missões dentro do Egito precisa ser dividida em 3 períodos: antes de 11 de setembro de 2001, após o fatídico 11 de setembro e após a revolução local de 2011 culminando com a “primavera árabe”.

ANTES DO 11 DE SETEMBRO DE 2001

O país caminhava dentro de um regime democrático aparente, mas na verdade era uma espécie de ditadura e havia um senso comum sobre a religiosidade das pessoas, elas eram extremamente religiosas, com a sua maioria de mais 90% da população formada por muçulmanos e não havia na Lei uma proibição expressa sobre a liberdade religiosa, todavia as pessoas eram muito radicais e o trabalho missionário era proibido, além de sofrer uma perseguição grande por parte do governo os missionários corriam risco de morte.

APÓS O FATÍDICO 11 DE SETEMBRO

Os olhos do mundo se voltaram para o terrorismo, inclusive dentro do país, pois havia células de movimentos terroristas dentro do país, mas antes não se enxergava como grupos de alta periculosidade, eram visto apenas como grupos de pensamentos radicais. Porém a partir do 11 de setembro o mundo todo percebeu o potencial de periculosidade dos grupos islâmicos radicais e aqui no Egito a perseguição aos missionários diminuiu, pois as autoridades passaram a investigar e perseguir os grupos radicais, ao invés de ficar atrás de missionários.

10 anos se passaram e houve uma revolução no país em 2011 como resultado da “primavera árabe”

Juntamente com todos esses movimentos no mundo, a internet abriu os olhos desse país para fora da sua realidade cultural e religiosa. Hoje estamos vendo um movimento secular crescendo dentro do país, não há mais tantos costumes religiosos como antes, isso não significa que a herança religiosa diminuiu, pelo contrário, tudo ainda gira em torno da religião, porém as pessoas passaram a ser religiosos nominais, coisa que antes era impensável.

Eu conheço o país do antes e depois desses movimentos e é visível a diferença do país nos usos e costumes, além do secularismo religioso.

Com tudo isso, as portas dessa nação estão escancaradas para o trabalho missionário, ele continua proibido, ainda sofre perseguição, mas nada comparado como antes, isso não significa que os missionários são livres para trabalhar e não necessitam de apoio espiritual, financeiro e logístico. Muito pelo contrário, a necessidade de parcerias aumentou por causa da demanda, hoje os trabalhos e as plataformas de evangelização aumentaram, a colheita também, mas os trabalhadores continuam poucos e principalmente os recursos para suprir todas as demandas dos trabalhadores.

Segue abaixo a lista de estratégias e plataformas que tem sido usadas na nação:

Refugiados

1 – o país tem recebido anualmente milhares de refugiados e eles precisam de apoio social e espiritual, muito são cristãos e vem fugidos de países muçulmanos mais radicais que o Egito.

2 – Desenvolvimento comunitário – os refugiados chegam ao país e o governo lhes concede asilo local, documentos e só, todo o resto é feito por ONGs ou pelos missionários que fazem desenvolvimento comunitário, montam escolas, postos de saúde e auxiliam na busca por empregos.

Nativos Cristãos

1 – o país está atravessando a pior crise econômica da sua história e os cristãos foram afetados também, há vários grupos de missionários que trabalham diretamente no cuidado com eles, desenvolvendo projetos com diversas frentes para ajuda-los a saírem da miséria extrema, além de evangelizar os cristãos nominais para terem uma experiência especial com Deus.

Nativos Muçulmanos

1 – Os mesmos fatores econômicos atingem os muçulmanos, por isso há vários projetos sendo desenvolvidos em diversas comunidades para auxilia-los a sair da extrema pobreza, além é claro de serem alvos diretos da evangelização.

2 – Os projetos são muitos, mas vamos citar os que estamos envolvidos diretamente: Projetos de esportes, futebol, artes marciais, são os principais.

3 – desenvolvimento comunitário: cuidado com pessoas em situação de extrema pobreza, auxílio psicológico para mulheres e crianças vítimas de violência física e sexual, atendimentos médicos e de saúde básica, incluindo cuidados com dentistas.

4 – Profissional: Cursos profissionalizantes, gerenciamento de pequenos negócios, incluindo a melhora no currículo pessoal para serem inseridos no mercado de trabalho com melhores colocações e salários.

5 – Estudo de idiomas

6 – Desenvolvimento e implementação de tecnologias com o uso da internet como ferramenta de evangelização: desenvolvimento de sites, blogs, Youtubers e comunicadores virtuais para defesa da fé cristã e evangelização direta.

7 – Por último e não menos importante, cultos e trabalhos espirituais em formato de células, tendo em vista que a abertura de novas Igrejas é proibido no país, essa estratégia é a mais efetiva e que traz maiores resultados para o Reino de Deus.

Enfim, estamos vivendo um momento excelente cheio de oportunidades, mas poucos são os trabalhadores e os recursos estão cada vez menores, precisamos muito unir nossas formas para que o Reino de Deus seja mais efetivo nessa nação.

Missionária Andreia Macedo
Líder em base

Nascida em 1973, em Pirassununga (SP), em 2008 – a convite do pastor Carlos José de Melo (Presidente da VEMBRASIL) – iniciou seu trabalho (como voluntária) na Obra Missionária em parceria com a VEMBRASIL.

Atualmente atua como Secretária do departamento de Comunicação e também Líder em Base dos projetos Níger e Egito.